segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Os 3 copos

Texto do Mauro, o melhor dos loucos! (http://www.myspace.com/mauroliveira)

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Nesses dias há conversas de botequim. Empalidecendo o tempo que, supostamente, entrou de mau jeito em nosso presente, e discutíamos três copos e três bocas falantes, sobre a nossa capacidade reduzida ao que o meio determina.

- Diga você se não quer estar entorpecido amanhã, e depois, e depois e mais depois ainda nesse sentido que o tens como privilegiado e feliz?

- É realmente o seu copo fala bem, e digo mais, mais vale um descendo a garganta do que três falando asneiras...ehehehehehehe

- Mas veja esse terceiro, nem se dá por vencido e só sorri endiabrado...rs

- Pois sim, deixo que vos falem os por menores, pois agora vejo uma pequenina, melhor que seus por menores...rs

- E nem compartilhas? Que insano! Mostre-nos a perseguida...rs

- Sim claro que mostro, mas agora já não posso, pois ela já por ali se foi e me deixou um sorriso apenas assim oh...rs

- És um cuzão e não solicitas os comparsas de mesa!

- Ta não choramingues, por favor, a próxima vez convido-a para sentar-se à mesa, e compartilhar os por menores que sentimos...rs

- Pois é bom mesmo, e se falhar tomo-te o copo por inteiro e perderá a brisa...rs

- Hahaha! Poderia ter ficado sem essa em...hehehe

- Foda-se! Há alguns prazeres que por vezes não podem ser divididos em três, como o meu olhar a transeunte pequenina que por ali seguia! Aliás, isso cai bem ao nosso burburinho, como às vezes muitos não querem dividir o dinheiro, outros muitos não querem dividir as mulheres de suas vidas.

- Ah! O dinheiro até concordo, mas a mulher amada já é outras entradas no seu bolso e ademais, amar alguém é uma coisa e sexo é uma outra coisa que faz parte também da primeira coisa, mas que aflora por outros seres fora a primeira coisa citada, enfim, acho que isso foge um pouco a capacidade reduzida ao que o meio determina, e deve sim estar essa dúvida, apegada ao estado natural do seres, ou seja, já bebi em demasia...ehehehehe

- Ahhhhhhhhh PRESO!!! Mas estava indo muito bem! Por favor, James, mais uma aguardente ao nosso filósofo de botequim...hehehe

- Espere vocês dois, pois quero agora escutar esta canção que vem surgindo...

- Claro, Nada Surf é magnífico!

- Aumente o som James e traga-nos mais cachaça.

- E uma porção de fritas meu senhor da cabeça esquisita...rs

Rotineiros de botequim, às vezes felizes e embriagados, por vezes tristes e impenetráveis de seus próprios pensamentos...

Era mais uma volta que eles queriam passar, mais uma volta das idéias sem saídas que não compreendiam o porque de tudo aquilo, os sentidos, os amores e as violências exibidas em suas cabeças... Homens de contenção pelo justo, injustiçados em seus montes de horas perdidas nos desprazeres do cotidiano.

- Quem ta ai? Gritava a ressaca da vez.

Era novo dia e após seus copos filosóficos todos eles saiam pela manhã, a fim de consagrar a vida, de ganhar a vida em alguma maneira, mas em verdade queriam mesmo, era ficar por ai, fazendo os prazeres que tinham como sentido de existir. E quem diz que isso vai além de seus pensamentos? A vida mostrava o quanto a ser exonerado seus sonhos, e ao longo do tempo eles iam ficar apenas com os hits que marcavam suas boas horas envolto de caricias do imaginário e momentos que passavam...

Um deles o espoleta, aquele que olhava a pequenina, ligava o foda-se em alto grau a caminho da decepção que encontrava todo dia, era assim que olhava seu serviço, ia atracando-se com os transeuntes do coletivo tentando segurar-se, vendo indiferenças em vários rostos, a ostentação e decepção de cada um, ele seguia, salvando seus ouvidos com um portátil som de bolso, e por vezes um livreto, pra também salvar suas vistas e não atiçar tantos prazeres, mesmo porque sempre havia uma mulher bruta perto do seu bruto corpo...

O segundo copo era mais quieto, um sonhador também, mas sabia aonde e o que optava em vida, era um segredo para os desconhecidos, fazia o seus corres e só sorria mesmo quando estava junto aos outros copos, que era para como ele, um sonhador, sonhadores de mesmas dores de mesmas submissões aos meios, mas ele sabia, só ele, que em algum momento explodiria seus sentidos, e como uma musica de alma, soaria como num poder indecifrável...

E nosso terceiro copo era um inalcançável, um ser da filosofia, que apesar do sorriso, estava sempre pensando, as covardias dos seres e do mundo, uma decepção a cada livro devorado, e a cada sentido que os pensadores colocava em sua vida real, em seu dia-a-dia, em seu ser de humano, era sensível de mais para tal mundo vergonhoso, era grande e apanhava demais, mas por demais, não desistia nunca, a fim de procurar uma saída mais alem da mesmice que encontrava ali, hora suja hora limpa, em seus olhos, era como os outros copos, bonito de coração...

Diferentes em seus corpos e suas maneiras, mas almejando a mesma proporção de liberdade e dignidade de existir, se é que era digno o sentido de existir as vontades de seus pais, queriam sim, encontrar o patamar dos felizes.

Setembro 2006

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