quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

o atropelo

No início dos anos 80 eles se conheceram e de cara o Paulinho ficou de quatro pela baixinha. Mas já no primeiro encontro ela avisou que era melhor eles pararem por ali, porque o Amaro, seu cunhado, não a deixava sair por aí namorando.

- Manda avisar lá na favela que agora você tá namorando e não tem Amaro nenhum que vai impedir nossa relação.

Primeiro veio o aviso, depois o atropelo. O Paulinho entrou com o carango pelos becos da quebrada e enfiou o carro no barraco do Amaro. Aos sair do carro, viu apenas a neblina de fumaça, a jogatina interrompida e os canos engatilhados apontados na sua direção.

- E ai meirmão, que fita é essa de derrubar meu portão?

- Eu vim buscar a Sueli. E o portão derrubado é só um aviso. Se alguém atravessar meu caminho, não vai ser só o portão que eu vou atropelar.

- Tá certo Paulinho. Mas aí: a baixinha é minha protegida, se pagar vacilo a casa cai.

- Tá falado.

O Amaro escreveu suas linhas tortas e se endireitou.

O Paulinho também escreveu suas linhas tortas e partiu cerca de uma década e meia depois da derrubada do portão. Partiu com pelo menos uma certeza: apesar dos encontros, desencontros e erros, a baixinha sempre foi a dona do seu coração.

A Sueli teve três filhos do Paulinho e continua cativando geral com seu sorriso encantador.

Um comentário:

  1. Amor-paixão é foda...rs
    Animal este post!
    Eh rasta! Fico pra Jah a ultima gelada do ano em.. Mas a gente se vê mano.

    Abraço

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