quinta-feira, 6 de junho de 2013

a bronca

O som era no Manifesto Rock Bar, Itaim Bibi. Sai do trampo e colei no apê do Fê, no Copan. Enxugamos umas latas de cerveja, queimamos um charro e ficamos mamando uma garrafa de whisky que ele tinha descolado com uns universitários da Puc.

Eu deveria chegar no Manifesto umas dez horas. Dez e pouco alguém da banda me ligou perguntando onde eu estava.

- Tô chegando, sem pânico.

Matei o destilado que restava, dei um tchau pro Fê, desliguei o celular pra não receber mais nenhuma ligação dos caras da banda e segui pro Manifesto. Cheguei por volta de meia noite.

Na hora do show o Jô montou a bateria e me perguntou se eu aguentaria o tranco. Disse que tava tudo em cima, eu tava legal e o show ia ser destruidor. Se não me engano, foi nesse dia que o Dadá pediu a Carol em casamento em cima do palco! A gente tocou umas cinco músicas no máximo. Os caras desligaram toda a aparelhagem e me atacaram de orelhada. Que eu não devia ter feito aquilo, não devia ter ficado tão bem louco e que tinha fodido geral com o show. E se eu quisesse ficar nice, naquele estado, deveria tocar numa banda cover do Pink Floyd ou de reagge e não a PORRA DO SOM PESADO QUE A GENTE FAZIA!

- Baby, vocês estão equivocados. O show foi massa, foi brutal, eu arrebentei na bateria e nem entendi porque vocês pararam.

Os caras entenderam que aquele não era o momento de dar a bronca. Fomos pra uma mesa, tomamos várias e fomos embora rindo e curtindo como sempre.

Dias depois os caras me lembraram a história toda (que na minha memória só restavam fragmentos). Me desculpei e prometi que dali pra frente eu ficaria bem o suficiente pra aguentar fazer shows decentes.