sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Utopia

Alimenta o fogo do encanto às fagulhas,

Somente às fagulhas

E (in)displicente você demonstra seu desprezo,

Da maneira que somente os livres deste amor entendem o recado


A esperança sugere prazer ao sofrimento

E mantém faíscas internas que não apagam e nem viram chamas,

Mas por vezes explodem

Explodem em dor que somente o cego de amor suporta


E volta a ti munido de encanto, esperança e fagulhas

Que não apagam e nem viram chamas

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

o atropelo

No início dos anos 80 eles se conheceram e de cara o Paulinho ficou de quatro pela baixinha. Mas já no primeiro encontro ela avisou que era melhor eles pararem por ali, porque o Amaro, seu cunhado, não a deixava sair por aí namorando.

- Manda avisar lá na favela que agora você tá namorando e não tem Amaro nenhum que vai impedir nossa relação.

Primeiro veio o aviso, depois o atropelo. O Paulinho entrou com o carango pelos becos da quebrada e enfiou o carro no barraco do Amaro. Aos sair do carro, viu apenas a neblina de fumaça, a jogatina interrompida e os canos engatilhados apontados na sua direção.

- E ai meirmão, que fita é essa de derrubar meu portão?

- Eu vim buscar a Sueli. E o portão derrubado é só um aviso. Se alguém atravessar meu caminho, não vai ser só o portão que eu vou atropelar.

- Tá certo Paulinho. Mas aí: a baixinha é minha protegida, se pagar vacilo a casa cai.

- Tá falado.

O Amaro escreveu suas linhas tortas e se endireitou.

O Paulinho também escreveu suas linhas tortas e partiu cerca de uma década e meia depois da derrubada do portão. Partiu com pelo menos uma certeza: apesar dos encontros, desencontros e erros, a baixinha sempre foi a dona do seu coração.

A Sueli teve três filhos do Paulinho e continua cativando geral com seu sorriso encantador.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Amplidões desérticas

Não há vitória,

Não há final,
Tudo o que existe são perspectivas nulas

Um deserto de esperas eternas


A máquina acorrentou suas amplidões!


Suspire por outro ato indiferente:

Erga os braços, estique as mãos
E toque o vazio gelado
Sinta o abraço frio do nada