segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

aos poucos eu volto

Isolamento do mundo pra me recuperar da cirurgia e de mim mesmo.

Sob os cuidados da preta passei bem pelo pós-operatório.

Te amo pretinha!

Obrigado por tudo!


Durante o tédio da recuperação criei um time no “Fifa 2009” do playstation. Passei horas criando os uniformes e a fisionomia de cada jogador.

Equipe: Zona Leste Muita Treta
Estádio: Caldeirão da Z/L
Formação:
Marinho no gol. O luva negra! Defendendo tudo com a elasticidade e a ginga da capoeira!
Joca, quarto zagueiro. Bruto e preciso!
Guto, líbero. O gigante da zaga!
Fábio primeiro volante e Mudinho segundo volante. A dupla hippie que mantém a paz de espírito do Time!
Marmita na ala esquerda e Heitor na ala direita. A força Black e a inteligência oriental levando o time ao ataque e dando correria nos adversários!
Dadá, meia armador. O maestro e xerife da equipe.
de ponta direita e de ponta esquerda. A perspicácia da periferia indo pra cima da zaga adversária.
E Mauro centroavante. Pequenino, porém genial! O artilheiro maroto, o Romário da Z/L!

Outros tantos amigos foram para a reserva: Felipe, Mandioca, Douglinhas, Robson, Kadu, Edgar, Thiago, Grunge, Mochila, Willian, Lê, Rato, Bokaa e mais alguns que agora não lembro...

E assim eu consegui reunir os amigos. Mesmo distante, os amigos tão aí.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

em honra ao mérito

O sangue alheio não incomoda os servos da guerra
Que resumem em números as mortes deixadas pra trás,
Que deixam em chamas o alvo escolhido
E transformam em ruínas o caminho trilhado

O brilho da glória escurece a visão
Que "justifica" a incoerência de um povo cego
Há ultrapassar barreiras, há conquistar fronteiras
Em nome de uma ordem unilateral

O medo da morte paralisa a ação
Que "justifica" a fragilidade de um povo fraco
A deixar de lutar, a se entregar
Pela esperança da vida em uma guerra perdida

A se ajoelharem diante do poder
Em honra ao "mérito"
De não serem as próximas
Vítimas da história

A se ajoelharem diante da história
Em honra ao "mérito"
De não serem os alvos
Da ostentação do poder

quinta-feira, 29 de julho de 2010

o segredo

Hoje colou um tiozinho pra pegar uns recicláveis aqui no trampo e eu fui ajudá-lo a levar as paradas pra carroça. Mas uma das sacolas foi impossível eu levantar. Tentei, fiz um puta esforço e nada, só rasguei a sacola. Então falei pro tiozinho:

- Não tô conseguindo levantar essa aqui não, vê se você consegue.

O tiozinho de um metro e meio pegou a sacola que era quase do tamanho dele, jogou pra cima do joelho, depois pra cima do ombro e falou:

- Você não tava conseguindo levantar porque a sacola tava rasgando né?

- Que nada. Não consegui porque não consegui mesmo. Tava além das minhas forças.

- Oxe menino! O segredo é tomar uma caracu batida com ovo logo cedo, de jejum mesmo, pra manter a força da musculatura!

- Ahhh tá!

terça-feira, 27 de julho de 2010

passando batido

Era o ápice do inverno paulistano, o frio estava abaixo dos 15 há mais de uma semana e de madrugada a situação piorava. Eu, minha ruiva e a Lívia acordamos cedo e fomos até a casa da vó Tonha, tomar café com a véia. Ela fez bolinho de chuva, bolo de fubá e café forte! Ô véia sensacional! Que delícia de café! Depois do café, dei uma grana pra véia (bem mais que a aposentadoria que ela recebe), entramos no nosso carango zero bala e fomos fazer compras no Shopping Penha.

Perfumes, roupas, sapatos, tênis e o diabo-a-quatro. Depois das compras batemos um rango na praça de alimentação e voltamos pro carro pra guardar as compras. Ao sair do estacionamento ví 3 mendigos enrolados num cobertor fino, bêbados de cachaça, depositando no álccol a única alternativa de fuga da realidade. Uma realidade capaz de matar de frio os moradores de rua num inverno tão severo quanto aquele. Dei meia volta, guardei o carro na garagem do Shopping de novo, pedi pra minha preta ir passear com a Lívia enquanto eu ia até os mendigos, pra tentar fazer algo por eles.

- E ai meus senhores, o frio tá de matar hoje hein! Se vocês me permitem, eu queria ajudá-los.

- Ô filho de Deus, qualquer moeda já ajuda os véio aqui!

- Tá certo! Vou comprar comida pra vocês, pode ser?

- Pode filho! Deus te abençoe!

Colei num boteco, pedi 3 marmitex e um refri de 2 litros e entreguei pros senhores. Enquanto eles comiam eu pedi pra que eles não saíssem de onde estavam porque eu iria até o caixa eletrônico dentro do Shopping ver se tinha como eu pegar uns 10 conto pra deixar com eles. É óbvio que tinha, mas demonstrar ostentação nunca foi comigo, apesar dos 8 digítos na conta bancária.

Colei no Shopping, comprei 3 conjuntos de moletons e 3 cobertores. Antes de voltar pra rua, coloquei duzentos reais dentro do bolso de cada moleton e fui presentear os tiozinhos.

- E ai, deu pra bater um rango a pampa?

- Ô filho, deu sim viu! A gente até deixou um pouco pro nosso amiguinho aqui ó - falou um dos senhores e apontou pra um cachorro que estava comendo o resto de um marmitex.

- Pois é né! Tem gente que tem muito e joga comida fora. E quem tem pouco, sempre divide o pouco que tem! É na falta que a gente aprende a dar valor e dividir o que tem, né?

- Pois é filho! Quem nem sempre tem os 15 centavos do pãozinho diário, nunca vai deixar de dar valor pra nada e sempre estará disposto a dividir, porque se vê no lugar de quem tá pior (mesmo que seja um cachorro).

- É foda tio! Eu passei a maior parte da vida vivendo com muito pouco, agora tenho bastante dinheiro, mas preciso saber administrar pra não ir embora tudo de uma vez. Ó, comprei uns moletons e uns cobertores pra vocês ficarem a pampa nesses dias de frio. E aqui do lado tem um motel que cobra 20 conto por 3 horas dentro de um quarto, então vou deixar 80 conto com vocês, pra vocês entrarem lá no motel e tomarem banho, antes de usar os moletons novos. O que sobrar da grana, fica aí pra vocês comerem alguma coisa e tomar uma se o frio apertar. Se eu pudesse ajudava bem mais viu! Mas também não posso pagar de Deus, que daqui a pouco meu cascalho vai todo embora e eu ainda tenho uma família inteira na minha aba, além disso quero poder ajudar mais gente por esse mundão aí.

- Filho, você é um anjo! Deus te abençoe! A gente vai lá tomar um banho agora mesmo! Fica com Deus!

- Tô longe de ser anjo tio, mas tenho coração e uma cota de grana. Vão com Deus!

A realidade não é bem essa. Quase sempre que trombo uns moradores de rua, ao algum pedinte no caminho, tô na pior, com as moedas contadas pra pegar minha condução, ou sem nem um puto no bolso. É foda ver que sempre tem alguém numa condição muito pior do que a gente e ter que passar batido, sem poder esticar a mão com uma moeda que seja. Lá na quebrada é rotineiro ver menor abandonado, idosos de baixo de papelão, cachorro abandonado. Quem tá na rua vive numa pior, mas quem tem um abrigo nem sempre tá muito melhor. Um quarto de madeirite, cheio de goteira, na beira do esgoto, sem um rango no prato não é melhor que qualquer canto coberto em qualquer rua.

Se eu fosse endinheirado te ajudava tiozinho, com certeza! Se tivesse grana, meu porta malas sempre ia ter um rango e ração pra poder dar pra quem tá na rua com fome. Mas a real é que quase sempre tô com a grana contada e não tenho carro, nem com porta malas, nem sem porta malas.

É foda ter que passar batido.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Luana

E no suado da andança cabisbaixa
Cansado ia eu na dormida do Sol
Quando uma flor luzente se brilhou
No pedido do que eu tinha falta

Luana de terra outra também é

Uma flor sonhante campestre
Desterrada na lonjura de casa
Sofrendo uma dor solitária

Desta flor iluminei-me por tempo pouco

Até sua ida que se fez em sumir
Em frente a cruz da morada de Deus
Virei-me então a partir,
A sorrir

João da Terra Outra

O gosto do sangue

Eis o fim da revolução

Somos índios pelados dançando na chuva
que apaga os últimos vestígios de fumaça

O gosto do sangue simboliza a vitória
De quem pode sorrir ao ver as pedras
que encobrem as flores

O cisne olha indiferente a reunião dos abutres
Em volta do corpo inerte
(de quem não mais lhe servirá migalhas)

Eis o início da revolução

terça-feira, 18 de maio de 2010

Nastássia Filíppovna

a melhor personagem de todos os tempos, pelo mestre Dostô.


...Ele ficou perplexo e, mal começou a falar com ela, logo viu que estava perdendo o seu latim, que tinha de abandonar a entonação, a lógica e os objetos daquelas agradáveis conversas tão bem sucedias até então, tudo, tudo! Pois viu diante dele, sentada, uma mulher inteiramente outra, e não absolutamente aquela moça...

... E essa nova mulher demonstrou, em primeiro lugar, conhecer e compreender muito – mas muito! – da vida e do mundo, e conhecer tanto que uma pessoa se maravilharia em saber onde e como tomara tanto conhecimento e atingira idéias definitivas. (Na certa, não na sua biblioteca para moças!) E o que é mais, sabia mesmo o aspecto legal de certas coisas e tinha um conhecimento categórico, se não do mundo, pelo menos de como as coisas são feitas no mundo. Em segundo lugar, não possuía mais o mesmo caráter de antigamente. Não havia nada de timidez nem da incerteza da menina do colégio, uma vez fascinante em sua original simplicidade tão jovial, outras vezes melancólica e sonhadora, estupefata e desconfiada, lacrimosa e difícil. 


Sim, era uma nova e surpreendente criatura que ria no rosto dele e lhe atirava venenosos sarcasmos...
...Evidentemente, além de tudo isso, ainda havia mais qualquer outra coisa; o prenúncio já de um fermento caótico em trabalho no seu espírito e no seu coração, prenúncio esse transformado em um insaciável e exagerado paroxismo de desprezo; enfim, algo altamente ridículo e inadmissível na alta sociedade e prestes a prejudicar qualquer homem bem-educado. 


Como não dava valor a coisa alguma e, muito menos, a si própria (era preciso muita inteligência e visão, em um mundano cético e totalmente cínico como ele, para perceber que ela havia desde muito deixado de se importar com o próprio futuro e de acreditar na valia de tal sentimento), 
Nastássia Filíppovna era mulher para enfrentar a ruína sem esperança, e até a própria desgraça, a prisão e a Sibéria...

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Sanidade e loucura

Por fora do moinho a aparência tenra
De um homem que omiti, mas não engana.
A verdade fabula que quer encontro
Que lhe foge a toda vez que lhe despertam


Que certeza tenho nessa loteria?
Fora a tal angustia?


Achou no ganhar o recreio da vida e o gozo da certeza
Que lhe exaltou a paralisar o tempo
E tem ao pulso a fantasia sublime
Que lhe foge a toda vez que lhe despertam


Viu que a certeza é que tudo se ergue
E que a queda é sombra desta


Sanidade que vem,
Loucura também
Possuo dois caminhos em que nada tenho
Realidade vem,
Surrealismo também
Caminho em nada que possuo dentre ambas


Tem teus sentidos, ansiedades, vontades, tuas neuras,
mas nunca a certeza maior, sobre o todo e você, do certo ou errado.
Vive e é presente, e é pulsante, mas nada sabe quando dorme, se está ou não tão vivo, a que motivo corre feito louco. Faz tanta força pra que o todo te dê sentido e a inteligência lhe prove algo.


E o encontro está marcado com a pendência
Sobre o tamanho de existir, ser e ter padecer.
Que lhe rasgou a esperança da certeza.
E com defronte ao espelho foi tratar de entender
Se tudo o que refletia era verdade,
E se o certo ou errado consistia em quê?


Na sanidade que vem
Ou na loucura também
...


Fora das palavras

A sorte não existe quando as ações não sobressaem sobre as mazelas.
Tem medo...tem, eu temo as vidas de agora...
Os braços meus estão quebrados quando o senso não compete só a minha pessoa.
Veja bem, o circulo de dúvidas, que é um coletivo de disputas.


Será sorte de alguns nascerem ricos e azar de todos não terem nada?
Explica alguém, explica-me a cabeça humana...
O céu esta de portas fechadas, vamos enfatizar aqui as coisas boas.
Não tem lei moral. Pense que a bondade é um principio para toda harmonia.


Tô vivendo o caso único de pensar onde andará a benfazeja.
Onde me enquadro eu, pequena peça, que não quer disputar a existência. O que nos difere?
Será o pecado original nossa sentença, ou mera desculpa sobre as ações que usurpam da vida?


Não diga nada, eu só quero ver o quanto você é parte verdadeira, mostra-me você.
Na transparência das ações que imprime você fora das palavras.


Abalo

Artistas do circo da vida

Somos os artistas do circo da vida 
Equilibramo-nos na corda do tempo e no trapézio dos sonhos 
E estamos sujeitos a perder a cabeça 
Na mágica do cotidiano 


Olha quem está ali 
Na gaiola dos bichos 
É o homem o animal 


O mártir a luta e o palco 
Será que o poço é o passo pra evoluir? 
E os palhaços quem são? 


Somos os artistas da tragédia da vida 
No trapézio e nos tombos
Perdemos a cabeça. 


Distingo o ser feliz 
Palhaço é seu nome 
Sou eu em ti 
São todos em mim 
A equilibrar-se aos sonhos 
A equilibrar-se aos tombos 
Um montante... 
Aos tombos.

Abalo

O bom aniquilado

As coisas boas o homem aniquila.
Do que vale o conhecimento que beira a perfeição,
Que abrange tudo e recai ao nada? 


Impulsionado,
Impulsionado pelo promiscuo prazer.
O homem é o feto pasmo, pai de anomalias. 


Nada mais poderemos ver;
Escureceu-me as vistas, a vida. 


Trocaram o verde pelo cinza.
Como respirar?
Estão matando diversas vidas.
Quem se importa?
É sua casa, não quer cuidar.
É nossa Terra corroída. 


Me lembro bem: Quando menino
Eu sonhava alcançar as nuvens,
Tenho medo de não vê-las mais; 


Eu só sonhava... 


Era tudo poesia... 


Eu antigamente era verdade,
Logo mais a frente é desalento.
É nascer e contemplar a luta.
Desse asfalto nascem flores
Ei-las: são lindas... 


Abalo

quarta-feira, 10 de março de 2010

anãozinho burocrata!

Eu tava na Augusta andando um pouco a frente da galera e quando olhei pra trás, o Jô estava caído no chão e o pessoal estava em volta dele. Saí correndo, empurrei todo mundo e vi que o Jô estava ensangüentado! Tinha levado um tiro! Peguei ele no colo e saí xingando todos os malditos amigos apáticos, que pareciam estátuas boquiabertas!

Por sorte, na primeira esquina que eu virei havia um hospital com 3 ambulâncias na porta. A primeira estava de saída e nas outras duas não tinha ninguém dentro. Chutei a porta do hospital, entrei e fui atendido por um médico anão. Expliquei que era uma EMERGÊNCIA e o maldito anão respondeu dizendo que eu precisava pegar um elevador com meu irmão! Subimos enquanto o anãozinho falava sobre preencher uma papelada antes do atendimento!!! Quando a porta abriu, larguei meu irmão no chão e parti pra cima do anão burocrata! Já estava prestes a matar o maldito quando o relógio despertou.

Salvo pelo gongo! Te mato no próximo sonho.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Lodo


O castigo sobre o corpo
Saudando os mortos de sangue quente
Puxando os julgados à derrota

O comodismo humano se farta num banquete de indiferença e a ação morre atrofiada.
A carne sem alma como castigo

A passividade não se incomoda com seu estado mórbido sujeitado ao caráter austero da realidade, nem mesmo quando o meio cospe em sua cara seus próprios demônios.

Brindemos ao lodo que afunda a relva da natureza humana até o caule
Fazendo o âmago ceder ao triunfo da morte,
Que às vezes vem fechar os olhos da dor,
Salvando o inseparável sofrimento do seu manto apático.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Utopia

Alimenta o fogo do encanto às fagulhas,

Somente às fagulhas

E (in)displicente você demonstra seu desprezo,

Da maneira que somente os livres deste amor entendem o recado


A esperança sugere prazer ao sofrimento

E mantém faíscas internas que não apagam e nem viram chamas,

Mas por vezes explodem

Explodem em dor que somente o cego de amor suporta


E volta a ti munido de encanto, esperança e fagulhas

Que não apagam e nem viram chamas

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

o atropelo

No início dos anos 80 eles se conheceram e de cara o Paulinho ficou de quatro pela baixinha. Mas já no primeiro encontro ela avisou que era melhor eles pararem por ali, porque o Amaro, seu cunhado, não a deixava sair por aí namorando.

- Manda avisar lá na favela que agora você tá namorando e não tem Amaro nenhum que vai impedir nossa relação.

Primeiro veio o aviso, depois o atropelo. O Paulinho entrou com o carango pelos becos da quebrada e enfiou o carro no barraco do Amaro. Aos sair do carro, viu apenas a neblina de fumaça, a jogatina interrompida e os canos engatilhados apontados na sua direção.

- E ai meirmão, que fita é essa de derrubar meu portão?

- Eu vim buscar a Sueli. E o portão derrubado é só um aviso. Se alguém atravessar meu caminho, não vai ser só o portão que eu vou atropelar.

- Tá certo Paulinho. Mas aí: a baixinha é minha protegida, se pagar vacilo a casa cai.

- Tá falado.

O Amaro escreveu suas linhas tortas e se endireitou.

O Paulinho também escreveu suas linhas tortas e partiu cerca de uma década e meia depois da derrubada do portão. Partiu com pelo menos uma certeza: apesar dos encontros, desencontros e erros, a baixinha sempre foi a dona do seu coração.

A Sueli teve três filhos do Paulinho e continua cativando geral com seu sorriso encantador.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Amplidões desérticas

Não há vitória,

Não há final,
Tudo o que existe são perspectivas nulas

Um deserto de esperas eternas


A máquina acorrentou suas amplidões!


Suspire por outro ato indiferente:

Erga os braços, estique as mãos
E toque o vazio gelado
Sinta o abraço frio do nada